No alto da montanha...

No alto da montanha...
Capilla del Monte - Cerro Uritorco - Argentina

terça-feira, 23 de abril de 2013

Em Viña del Mar....

Conhecendo Viña...

Chegamos em Viña e fomos direto para o hostel que Marieta já tinha buscado na internet. Ótimo, grande, bonito, limpinho e em uma boa localização! Depois saímos em busca de uma lavanderia para eu lavar minhas roupas. Passamos foi muita raiva! É impressionante como os chilenos não sabem dar informações de onde ficam os lugares, não sei se não sabem ou se tem má vontade mesmo, mas o certo é que nós duas não entendíamos as meias explicações que nos deram e andamos por um bom tempo até achar a lavanderia.

De lá fomos ao terminal de ônibus pegar informações e depois eu queria ir almoçar no Mercado Central e Marieta me acompanhou. Em Viña eu escolhi experimentar uma sensação que para mim acabou se tornando meio diferente agora. Faz nove meses que eu decidi evitar de comer carne e assim vou seguindo, evitando. E em Viña eu escolhi comer os famosos pescados fresquinhos e optei pela merluza. Comi e a experiência foi mais ou menos, parecia que aquele momento não era só comer um peixe. É, foi mais ou menos, mas eu tentei não tirar conclusões sobre o almoço, só sei que alguma coisa ficou me cutucando.

Depois do almoço caminhamos um tanto bom até chegar a uma parte da praia. A minha intenção era ir até a parte de areia e fazer uma caminhada. Mas quando chegamos à parte de pedras reconhecemos o cansaço do nosso corpo, já que a gente já tinha andado bastante em Valparaíso. Assim, sentamos nas pedras na beira do mar e ficamos por quase uma hora admirando a vista que tínhamos. Um dia um pouco cinza, com muitas nuvens, um céu embaçado que se misturava com o mar em uma só cor. Alguns navios, muitos pássaros e um raiozinho de sol. Estava muito bom sentir a calmaria daquele lugar. Era possível sentir o nosso corpo relaxando das nossas últimas correrias para conhecer os novos lugares.

Observando a paz relaxante do mar, nós permanecemos por muito tempo em silêncio, em conexão apenas com o que víamos à nossa frente. Mas era inegável que a paisagem era um tanto quanto romântica e então falamos de amores. Falamos de amores passados, amores futuros e no presente, estávamos as duas vivenciando a busca pelo encontro com a nossa própria pessoa. Estávamos as duas vivenciando a mesma escolha, o mesmo caminho, mas confessamos que às vezes um carinho podia fazer bem... mas, queríamos estar só!



Depois de um tempinho seguimos a caminhada porque era a vez da Marieta almoçar e fomos para um restaurante. Viña é muito freqüentada por turistas de vários lugares por causa de suas praias e os restaurantes das ruas têm todo esse clima de cidade turística. Eu não gosto muito não!

Voltamos para o albergue e já à noite fizemos amizade com três caras e saímos juntos. Acho que estávamos precisando mesmo de uma galerinha para dar um up! Nós duas estamos meio que na calmaria e a calmaria das duas juntas estava resultando em uma paradesa, rs. Assim, a companhia dos meninos deu uma agitada e nos trouxe boas gargalhadas. Fomos a dois bares, tomamos bons piscos, escutamos músicas e conversamos da forma que conseguíamos. Estava muito engraçado porque um dos garotos não fala e não entende nada de espanhol e eu não falo e nem entendo nada de inglês. Os outros falam as duas línguas e assim revezavam quando iam enturmar a ele ou a mim. Rs.

Experimentando ...

No dia seguinte nós duas demos uma separada porque cada uma ia seguir um rumo diferente. Eu fui dar uma voltinha na feira de artesanato, depois fiquei um tempo sentada em um banquinho de madeira observando o mar. Logo fui averiguar as informações sobre o meio de transporte para a minha saída da cidade.

Também fui buscar minhas roupas na lavanderia e ainda bem que eu aprendi a contar as peças, porque já ia ficando uma meinha para trás!rs. Enquanto eu esperava a lavanderia achar minha meia tive uma idéia maluca. Eu queria almoçar e lembrei da experiência com o peixe do dia anterior e aí quis me propor a conhecer minhas reais vontades e me testar a saber se eu queria voltar para a carne ou não. Era um teste comigo mesma, para eu ver se eu estava sendo sincera com minha escolha. Acabei fazendo o teste mais radical e experimentei o tão falado Mc duplo. Já que era para eu testar, então que eu testasse direito. Resultado é que eu não gostei mesmo da experiência. Não foi bom, detestei, mas gostei de ter me permitido me testar!

Passando por um portal...

Na verdade esta quinta-feira estava significando uma passagem para mim. Era nessa quinta-feira que eu ia começar uma experiência diferente na viagem indo para uma fazenda. Não sabia o que ia acontecer de diferente comigo na fazenda, mas eu sentia que esse era mais um portal. E no clima de mudanças, na quinta levantei bem mais cedo que nos outros dias para não incomodar ninguém e tomar um banho muito demorado. Fiquei à vontade para fazer isso nesse hostel porque finalmente esse era um que tinha muitos banheiros. Mas mesmo assim escolhi tomar esse super banho lava alma bem pela manhã. E antes passei na recepção, pedi uma tesoura emprestada e com essas tesourinhas de papel entrei para o banheiro e.... adeus dreads de nove meses!! Depois entrei para o mega banho e eu me sentia mais leve! Alguma coisa mudava em mim....

Sobre a fazenda, quando eu estava em Valparaíso vi uma portinha com umas pinturas que indicavam que ali era um templo Hare Krishna. Eu já tinha tido esse contato em Córdoba e se ali eu tivesse mais uma oportunidade de conhecimento seria ótimo. Toquei campainha e pedi para conhecer. Mas a moça que me atendeu estava cozinhando e simplesmente me largou caminhando sozinha por dentro da casa. Assim não consegui informação nenhuma e saí. Mas não consegui informação de nada lá dentro, porém, na entrada do templo havia um cartaz que chamou muita minha atenção. O cartaz falava de um trabalho voluntário em uma fazenda que em sua programação incluía aulas de yoga e cozinha vegetariana. Eu anotei todos os contatos e depois busquei mais informações na internet. Eu já estava com a idéia de fazer um trabalho voluntário em uma fazenda, mas quando voltasse para o Brasil. Isso era o que eu tinha idealizado para fechar a minha viagem. Pensei em trinta dias andando descalça com o pé na terra e respirando verde como finalização da minha expedição. Mas aquele cartaz com as aulas de yoga e na entrada de um templo estava muito convidativo e eu acabei decidindo ir para lá!

A fazenda fica em um pequeno povoado do Chile que se chama Catemu, cerca de duas horas de Valparaíso e da capital Santiago. Eu fui até a rodoviária pedir informações de como eu chegava até lá e a moça das informações turísticas não sabia. Aí um enxerido na intenção de ajudar informou que passava um ônibus na rua com a placa escrito Catemu e que era fácil de eu encontrar. Eu não senti confiança e por isso fui para lá com antecedência sem minhas malas só para confirmar. Não existia mesmo esse tal ônibus. Mas o pessoal da fazenda já tinha me passado as indicações que eu teria que pegar dois ônibus e eu fui lá no ponto e depois voltei para a rodoviária e me certifiquei que era isso mesmo. Na rodoviária o atendente me informou que eu podia comprar a passagem direto no ônibus. Como eu não tinha certeza da hora que eu ia sair, decidi fazer dessa forma.

Ruma à fazenda...

Fui para o ponto 14:40 sabendo que o ônibus passava 14:50. “Ótimo”, o ônibus chegou 15:00 e sem lugar livre! Fiquei muito puta com o moço da rodoviária que disse que eu podia comprar na hora. E o cara do ônibus falou com a cara mais normal do mundo que depois de uma hora ia passar outro e que com certeza ia ter lugar. Ele falou como se uma hora debaixo de um sol de rachar fosse igual à 15 minutos. Mas... ali eu fiquei! E depois da tal uma hora chegou o outro ônibus... sem lugar! Nossa, eu fiquei com raiva demais. Esse povo do Chile estava me deixando muito furiosa! E foi engraçado que nesta uma hora de espera uma moça chilena começou a conversar comigo e ela ia pegar o mesmo ônibus. E quando vimos que não tinha lugar ela me perguntou o que podíamos fazer, kk. Eu morri de rir por dentro, ela, chilena, me pedindo conselhos. Eu disse que ia até a rodoviária garantir a passagem para o próximo e enquanto ela pensava no que fazer dei sorte de não ter saído porque logo em seguida chegou outro com lugar.

Na estrada...

Eu tinha que descer em uma indústria e pedi ao funcionário do ônibus me avisar o ponto certo. E assim desci no meio de uma estrada gigante, com grandes montanhas de fundo. Fiquei super feliz que tinham mais duas pessoas no ponto, porque descer em uma estrada sozinha causa um certo susto. Mas tinha um cara com uma mala grande que devia ser funcionário da empresa e uma garota. E nós três pegamos o ônibus Catemu. Era um micro ônibus lotado. Era igual aos nossos micro ônibus mesmo de cidade grande, não tinha lugar para mais nada e quando eu perguntei para o motorista se era possível entrar com a mala ele respondeu um monte de resmungo que eu não tinha idéia do que era. Mas só vi uma mãozinha de um senhor muito amável puxando minha mala para dentro e ajeitando um espaço para me caber. E assim ele foi segurando minha mala para mim do início ao fim.


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