No alto da montanha...

No alto da montanha...
Capilla del Monte - Cerro Uritorco - Argentina

sábado, 2 de março de 2013

Seguindo a linha do gráfico


Em minha primeira semana na casa de temporada, em meio aos bate-papos que se estendem por horas na cozinha, meu hermano me disse que a vida dos estrangeiros que vem estudar em Córdoba acompanha as linhas de um gráfico. Na primeira semana a linha alcança um ponto muito alto, vai longe seguindo as expectativas e a empolgação com os momentos novos que começam a surgir em sua história.  Cada dia se aprende mais novas palavras e tudo é pura alegria. Depois de pouco mais de uma semana, a linha suavemente começa a descer e leva um grande tombo chegando a um pedacinho não muito agradável do papel. É quando se começa a cansar de ter que pensar para falar, de não poder se falar tudo que pensa porque não encontra as palavras, de a todo tempo precisar fazer esforços, até mesmo quando se está em silêncio e as palavras ficam fazendo uma salada em sua cabeça com o idioma materno e o de aprendizado. E o hermano estava mesmo certo! Mas segundo ele na terceira semana a linha volta a subir e depois alcança um ponto ainda mais alto que o inicial, dessa forma imagino também e espero.

Assim, essa semana foi um pouco estranha. Toda essa inquietude com o idioma me passou. Deu-me uma saudade enorme de poder sentar com alguém e bater um bom papo, uma conversação onde às idéias são compartidas até aonde se quer levar e não até aonde se tem vocabulário. Talvez por isso e pelas noites que ainda são mal dormidas, posso resumir que tive uma semana de sono e saudades. Saudades de coisas que tenho e de coisas que não tenho. E principalmente, saudade de tomar um açaí com Paulinha e Déborah e de prosear com Larissa.

No mais, para além do mundo interior, algumas coisas aconteceram por aqui. Talvez a mais impactante foi o rompimento com a faculdade. Senti-me como um passarinho solto de uma gaiola e revirei tudo o que estava dentro do plano inicial. Segunda – feira busquei a coordenação do meu programa para conversar sobre o cancelamento. Foi péssimo! A coordenadora me dizia a todo tempo que sou brasileira e que então o curso para mim era fácil e que não ia devolver o dinheiro parcial de forma alguma, que não existia essa possibilidade. No Brasil eu falaria um milhão de coisas, a começar sobre o contrato. Mas aqui.... me senti super impotente, não sabia o que falar, me faltavam as palavras! Ela disse que o máximo que podia fazer era conversar com a professora. E assim foi, a professora chegou com três livros enormes para me emprestar, para eu xerocar com o meu dinheiro e estudar em casa depois das cinco horas de classe. Ah... fiquei com muita raiva. Aí na quarta-feira comentei sobre isso com o pessoal da casa enquanto eles estavam jantando.  Todos ficaram tão nervosos quanto eu e a frase: “Se fosse para você estudar com livros não precisava nem mesmo viajar!” não saiu da minha cabeça. Aí resolvi que eu ia tentar fazer algo de novo.

David, meu hermano, é um garoto, tem apenas vinte anos mas uma cabeça muito avançada. É uma pessoa crítica, articulada e de ótimas palavras, seja em inglês ou espanhol. Sem pensar duas vezes ele se ofereceu para me acompanhar na coordenação do programa, e eu, que tinha me sentido tão impotente na segunda-feira, aceitei imediatamente. Resultado, sucesso total! Eu voltei muito mais firme em minha posição e David foi um ótimo intermediador. Conseguimos e eu cancelei o programa com direito a devolução parcial do valor pago. Na verdade fiquei em um grande prejuízo porque paguei um valor altíssimo para fazer a transferência do pagamento do Brasil para Argentina, mas não importei, me senti livre! Agora quero umas aulas particulares, mas ainda não sei bem com quem fazer.  

No mais, segunda-feira eu e Melyssa fomos dar umas voltas na cidade para fotografar os pontos que mais gostamos. Foi um passeio gostoso e agora temos bons registros para lembranças. Na sexta-feira fomos a um passeio com o grupo da faculdade, eu ainda tinha direito, pois já estava incluso no valor pago. Fomos à Alta Gracia, um povoado de Córdoba. Visitamos uma edificação da Estância Jesuítica e o Museu Casa Che Guevara. No primeiro, confesso que eu não estava nenhum pouco ligada ao que o guia estava falando. Era uma história muito repetida a que eu sempre escuto e eu tinha sono! Mas amei sair andando sozinha, despistado, me separando do grupo para tirar fotos. Fotos dos lustres, dos pombos, das flores, das árvores, isso sim estava fascinante! Cada vez tenho mais certeza do quanto adoro fotografar! E no Museu do Che o desapontamento foi porque, como a casa é onde ele viveu a sua infância, o único tema retratado foi sobre o período que ele morou naquele lugar. Nada foi dito sobre sua atuação revolucionária. Foi um passeio vago! Ao fim fomos a um restaurante com todo o grupo. Sentei para conversar com as duas brasileiras que estão em outro nível do curso e foi ótimo. As duas são de BH e descobrimos muitas coisas em comum. Além de tudo, um papo em português caiu super bem!

Ainda na sexta à noite eu e Melyssa nos reunimos com um garoto que conhecemos no carnaval e seus amigos em uma casa quase vizinha da nossa. Estava muito bacana. Os meninos são do norte da argentina e estão vivendo em Córdoba há um tempinho. Como os norte argentinos, eles têm um vínculo muito forte com a sua cultura. Tocaram violão com músicas folclóricas, falaram sobre cinema (que é o que estudam), política e outras coisas divertidas também. Fizeram um super churrasco com muita carne. Eu não desfrutei da comilança às vacas, rs, mas me diverti participando de um momento típico daqui, um assado com folclore, fernét, mate e a companhia dos “chicos” e “chicas” argentinos. Depois eu e Melyssa fomos para um bar que se chama Fábrica Cultural, pois sabíamos que teria um show de reggae. Eu havia marcado de encontrar com a garota que conheci e que estávamos juntas no carnaval e ela foi com um amigo. Nos reunimos no bar, mas o show que estava previsto para 23h30min ainda não tinha começado. Às 2h eu, já morta de sono, resolvi voltar para casa antes da banda tocar. Aprendi que aqui não existe pontualidade para evento, nos próximos chegarei mais tarde!




Fotos em Alta Gracia


 



   




        

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

E tem Carnaval aqui também!!!!

Minha empolgação com o carnaval começou no sábado à noite, quando antes de voltar para casa resolvi dar uma passadinha pela feira de artesanatos (só para não perder o costume, rs). Passava por entre as barracas um grupo de Candombe tocando os seus tambores sagrados e convidando o povo para a festa. Nossa, que alegria que eu fiquei de escutar aquela vibração. Eu estava com uma garota que conheci no templo no dia anterior e ela havia me informado que no domingo haveria a festança, mas o que não imaginávamos é que nesse mesmo dia íamos nos encontrar com o cortejo. A passagem foi rapidinha e eles se foram...

No domingo (24/02) convidei os hermanos para irem comigo ao Carnaval e felizmente eles toparam. David ficou por pouco tempo e foi embora. Ah... mas eu e Melyssa.... curtimos ao extremo, até o último minuto! Dançamos por exatamente seis horas ininterruptas!

O Carnaval é uma festa popular, mas aqui por algum motivo me pareceu ainda mais do povo, no sentido literal da palavra. As festas aconteceram em alguns fins de semana, em bairros fora da região central. O evento foi realizado nas ruas e com a maior simplicidade nas decorações. Talvez seja essa simplicidade que o deixou ainda mais bonito. Era possível se perceber que todo o cenário era montado pelo povo, pela comunidade. E os foliões estavam em total entrega ao momento. Todos conectados com a musicalidade, todos envolvidos com o som e se embalando no ritmo das danças. As danças eram próprias, cada um criava a sua sem a menor preocupação em saber ou não dançar. Aliás, me parecia que não existia essa idéia de saber ou não saber, todos estavam muito à vontade para soltar o corpo como quisessem.

Fiquei realmente encantada em ver Melyssa dançando. Gente, nunca imaginei que uma estadosunidense pudesse se soltar tanto! Ah e eu também sambei até doer o pé. No Brasil não sambo nunca, em terra de brasileiro eu sou o maior desajeito para sambar, principalmente por não ter ritmo nenhum. Mas aqui... ah sambei por todo o tempo! Rsrs Vergonha para que? Quando percebi já tinha era uma mão me puxando para sambar dentro da roda de tambores e lá estava eu, que delícia! A energia no centro é ainda mais forte. Levei a Melyssa lá pra dentro também e ali nos juntamos aos outros. Para mim era um pedacinho de Brasil aqui, é como as festas que mais gosto de ir. Para Melyssa era novidade, descoberta e encantamento total, muito bacana a felicidade dela!

O Carnaval foi iniciado com um cortejo do Candombe, depois uma apresentação de Murga, depois outra de tambores, uma de reggae e uma de Quarteto. Ao fim um grupo de músicos e artistas de rua fizeram uma roda com apresentações circenses e tocaram Cumbia.

Como aqui estou de férias das pesquisas, aqui vão algumas citações, não sei se muito confiáveis:

Candombe no Carnaval de Córdoba
“O candombe teria surgido no Uruguai, ainda no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio da Prata pelos escravos. A partir de 1750, com o início do tráfico de escravos para o Uruguai, então colônia espanhola, Montevidéu passou a receber levas contínuas de africanos de diversas regiões, sobretudo da África Oriental e Equatorial. (...). O termo candombe, a princípio, referia-se genericamente às danças praticadas pelos negros no Uruguai. Com o tempo, passou a designar o ritmo musical, calcado sobretudo nos tambores - chamados de tangó ou tambó, nome também usado para designar o lugar onde realizavam suas candomberas e a própria dança. Essas manifestações culturais à céu aberto chegaram a ser reprimidas pelas autoridades no século XIX, e por muito tempo foram realizadas apenas em ambientes fechados, em clubes secretos organizados pelos africanos e afrodescendentes.”

Existem manifestações de Candombe no Brasil, Argentina e com maior expressão no Uruguai. No Brasil pode ser visto com maior força no estado de Minas Gerais, onde está vinculado ao caráter religioso e os ritos, em muitos casos, são realizados de forma restrita apenas para os participantes. Na Argentina os grupos se apresentam com os seus tambores em festas abertas a toda a população.   

Murga no Carnaval de Córdoba
“Murga é um ritmo musical e uma manifestação cultural popular presente em diversos países de origem espanhola. O ritmo musical teria surgido em 1906, quando chegou ao Uruguai uma companhia de zarzuela cujos componentes formaram um agrupamento ao qual chamaram La Gaditana e desfilaram pelas ruas de Montevidéu para cantar, dançar e arrecadar dinheiro para as apresentações da companhia. (...) Atualmente, é manifestação presente no carnaval de diversas cidades espanholas, uruguaias, chilenas e argentinas.(...).A murga é executada basicamente com instrumentos de percussão (bombo, redoblante e platillos de entrechoque). No que tange às vestimentas, a murga recebeu influências do Carnaval de Veneza e da Comedia dell'arte, da qual manteve figuras como o Momo, o Pierrot e a Colombina.” Vale destacar que a Murga também realiza, de forma divertida, as suas apresentação com temas relacionados aos problemas sociais.

Quarteto no Carnaval de Córdoba
“O quarteto é um gênero de música popular de Córdoba ( Argentina ), caracterizada por uma taxa movido e tropical , ouvido em toda a Argentina e alguns países sul-americanos. Desde a sua criação no início dos anos quarenta era dançada apenas pela classe trabalhadora, e desprezado pelas classes média e alta. Na década de noventa, o gênero se tornou mais popular em toda a Argentina e não foi mais ouvido apenas pelas classes mais baixas, mas também por um grande segmento da população, independentemente de classe.”


Callejeros tocando Cúmbia no Carnaval de Córdoba
“Cúmbia é a música típica nacional da Colômbia. De início, surgiu nos guetos das grandes cidades colombianas, sendo que até hoje é uma categoria popular da música. O ritmo se disseminou por todos ou quase todos países falantes do castelhano na América Latina. Atualmente é considerado o ritmo musical mais popular da Argentina e de outros países vizinhos. A palavra cúmbia vem de cumbé, que significa festa. É originaria da parte alta do vale do río Magdalena (Colômbia) (...). Os africanos que chegaram como escravos a estas regiões, ao contar a história de seus grupos étnicos e aqueles feitos famosos dignos de guardar na memória, se serviam de certos cantos que distinguiam com o nome de "areítos" que queria dizer, "bailar cantando": Pondo no alto as candeias, levavam o coreo, que era como a lição histórica que, depois de ser ouvida e repetida muitas vezes, ficavam na memória de todos os ouvintes.”

Penso que as fotos descrevem melhor do que qualquer palavra o que é o Carnaval de Córdoba. Ah.... como me diverti nesse domingo! Me senti em casa, aliás, me senti nas ruas que eu adoro estar! Nas ruas dos povos coloridos....




















domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um dia de Luz...

(23/02/13)

Em BH eu tive que escolher entre ir ao Ananda Marga e ao templo Hare Krishna porque ambos se reúnem no mesmo dia e horário. Hoje, aqui, consegui fazer os dois e foi muito bom! Em BH comecei ir ao templo com dezoito anos, quando então me encantei com tantas cores e alegria. Tudo me fascinava, as palavras, as roupas, as danças e os mantras. Dentro do templo sempre me senti conectada com grande paz e harmonia. Mas a devoção à Krishna da forma como eu percebia, embora admire, não está totalmente de acordo com os meus pensamentos. Assim, minhas idas esporádicas sempre foram apenas como uma carga de energias e como um momento de aprendizado sobre as belas palavras que são ditas.

Em minhas buscas pelos caminhos espirituais encontrei o Ananda Marga e me encantei desde as primeiras palavras do meu Dada (guia espiritual). Quando ele me disse: “aqui não procuramos Deus no céu e sim dentro de cada um de nós” foi como as palavras chaves para me “segurar” ali. Na apresentação sobre a organização, tudo que o Dada dizia se encaixava perfeitamente com os meus pensamentos e intenções. Eu sentia a todo tempo que aquele lugar deveria fazer parte da minha vida. No Ananda Marga aprendi que tudo é amor divino, tudo é Consciência Cósmica e somos todos conectados ao Ser Supremo. Tudo é Amor Divino, Baba Nam Kevalam! Assim, em minhas primeiras semanas de meditação eu era capaz de sentir vida nas pedras, nas árvores, no chão, no céu, no sol, na chuva. Fui capaz de amar aos outros com uma sensibilidade inexplicável, amar aos outros e as coisas. Mas o caminho da meditação é duro, exige muita disciplina e foco. E eis aí minha dificuldade, nunca consegui ser disciplinada, ter rotinas certas. A meditação duas vezes diárias e às restrições a algumas coisas para se conseguir sentir o resultado da meditação Margii acabou me fazendo perder um pouco do caminho. E assim, ir à jágrit (centro de meditação) acabou sendo também um momento de purificação da alma e absorção de forças. Mas senti que ainda não estava preparada para ser uma Margii em total entrega.

E hoje foi um dia lindo. Como conheci a jágrit daqui nesta segunda-feira, fui convidada para um almoço com o grupo. E fui! Lá eu não conhecia bem as pessoas e não conseguia conversar muito. O espanhol quando conversado entre cordobeses me parece quase impossível de ser compreendido. Mas o Dada daqui estava presente no almoço e estar ao lado de um Dada sempre me traz uma felicidade tão grande que não preciso muito mais do que simplesmente estar sentado por perto deles. Na verdade isso acontece principalmente com o meu “mestre”, mas com o daqui também pude sentir boas vibrações. Só não consegui sentir muito bem no momento da meditação. Ahh... a coluna doía tanto que parecia que ia explodir. E as formiguinhas na perna então, nem se fala! E as dores me faziam ter a certeza que tenho que escolher entre praticar ou não. Não dá para ficar em cima da corda. Ou tenho que praticar todos os dias ou as dores vão me impedir de sentir as boas energias das práticas coletivas nas jágrits. Assim, com a cabeça voltada o tempo todo para as dores, não pude me conectar ao Baba Nam Kevalam. Mas o encontro foi ótimo e é impossível não comentar que a comida estava excelente. Ah que saudade que eu estava de comer uma comida de verdade!
Tive que sair mais cedo que o restante do grupo porque eu tinha outro compromisso.

Às 18:00h fui para uma reunião no “mini templo” Hare Krishna que o Hare da Plaza San Martín havia me convidado. O espaço na casa onde ele, Mathura Raj, vive. Quando cheguei fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que haviam se reunido ali para ouvir as palavras e os mantras. Achei mesmo muito impressionante como havia tantas pessoas interessadas. Em BH também sempre está lotado, mas lá existe um grande templo com um número muito extenso de devotos. E aqui não é um templo real e sim um espaço dedicado a essas atividades e me parecia que muitas pessoas estavam indo para conhecer o movimento. Mais uma vez estava eu me sentindo conectada àquele meio, um pouco como em BH, mas ainda mais leve e menos presa às críticas. Aliás, ali não havia nada que eu quisesse criticar. Tudo realmente estava muito bom para mim.

Mathura Raj nos conduziu a perguntas como: “Estou realmente feliz? Estou satisfeito com o que estou fazendo hoje? Estou contente com o meu trabalho? O que eu gostaria de estar fazendo agora?”. Essas perguntas foram feitas enquanto estávamos em meditação com os olhos fechados e a mão no coração. Eu até belisquei meu coração, ah... mas ele não quis me responder não. Vi que tem muitas perguntas que eu ainda não sei responder e me foi muito importante despertar para isso! Ele também disse que quando estamos fazendo o que realmente gostaríamos de fazer, estamos nos conectando com Deus. Gostei muito de ter escutado esse pensamento. Às vezes é como me sinto quando estou em meio à natureza. Gosto tanto de me sentar sem ter que fazer mais nada, e esse é mesmo um momento em que me conecto com as forças divinas.


Tudo estava sendo muito bom para mim. As palavras, na seqüência as músicas instrumentais, o Maha Mantra Hare Krishna cantado com a sintonia da devoção de Mathura Raj. Mas teve um momento especial e difícil de ser descrito em palavras. Foi quando Mathura disse que ia tocar um mantra em especial para uma brasileira que havia conhecido à poucos dias e que havia lhe contado que sente uma emoção muito forte com esse mantra. Era meu mantra favorito ali, era Jaya Radha Madavha cantado e tocado para todos, mas também para mim. Simplesmente inexplicável! Eu nunca havia escutado esse mantra dentro de um templo. Eu havia o encontrado em minhas buscas pessoais e havia me apaixonado por ele. E ali, parecia que Krishna conversava comigo. Eu não sabia o que estava sentindo, mas percebia meus olhos despistadamente lacrimejando, ao mesmo tempo que o sorriso nascia. Eu fechava os olhos e via perfeitamente uma cena. Era um filme que se passava claro em minha mente, também era real! Assim como sugere o mantra, eu via Krishna caminhando pelos bosques, eu o via por perto das montanhas, das cachoeiras. Ele estava tocando sua flauta, não caminhava, mas sim saltava e bailava. Ele tocava para o sol que estava irradiante e tocava para as quedas d’água. O som de sua flauta era também para os pássaros que voavam ao seu redor. E depois chegou Rhada, então bailavam juntos e cantavam. Era colorido, era vivo, era suave. Era a maior expressão do amor!




Foram mais algumas horas sentada sem encosto, assim como na meditação realizada durante o dia minha coluna doía, minha perna tinha câimbras, mas eu não queria sair dali! Não queria que aquele momento tivesse um fim.




"jaya rādhā-mādhava kuñja-bihārī
gopī-jana-vallabha giri-vara-dhārī
yaśodā-nandana braja-jana-rañjana
yāmuna-tīra-vana-cārī"


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Um sopro, um terremoto. Um livro, uma flor. E pizza!


Pela manhã enrolei muito. Podia ter produzido muito mais, mas fiz muita hora até chagar o almoço. Mas assim que acordei tive uma conversa com meu pai via skype que me foi muito importante. Ele me pareceu muito preocupado por saber que a minha classe de espanhol está em um nível diferente do meu. Assim, sugeriu algumas coisas como conversar com a professora, tentar mudar de turma e também, entre as sugestões, rapidamente perguntou se haveria a possibilidade da universidade me devolver o dinheiro, caso eu cancelasse o curso. Eu logo respondi que não quero desistir, que há muitas coisas que não aprendo porque não é ensinado, mas que o que é aplicado eu tenho conseguido acompanhar. Então, mudamos de assunto e matamos um pouco da saudade.

Depois de muita preguiça no quarto e de um belo banho fui comer minha comidinha, igual de todos os dias (acho que tenho que criar algo novo). Nesse processo de quarto e cozinha minha cabeça deu um giro de 360º. Parece que as palavras leves do meu pai foram um sopro que, positivamente, causaram um terremoto na minha mente e me fizeram mudar de idéia totalmente. Tum, tum, tum... era minha mente trabalhando à mil. Comecei a pensar um milhão de coisas sobre a universidade. Curricularmente falando, será excelente se concluo meu estudo de línguas através desta instituição. Mas em momento algum esse foi o meu objetivo quando vim para aqui e por esse motivo, a todo tempo, digo que não estou preocupada com notas e com o diploma oferecido depois do teste final. Também sempre repito, por aqui, que estou aprendendo muito mais o espanhol conversando em casa e nas ruas do que na escola. Então pensei: “o quê que eu estou fazendo lá?” Não tenho dúvidas que quero muito aprender o idioma, o espanhol me encanta demais e quero sim conseguir. Mas porque estou pagando tão caro por esse ensino na universidade se não tenho o retorno que necessito. Quando me inscrevi o programa propunha uma coisa e estão oferecendo outra. E porque estou lá? Será que é porque não quero desistir? Mas sair da universidade não significa desistir, somente mudar de plano! Como eu não tinha me dado conta disso? Na verdade para quase tudo que faço tenho um plano a, b e um c. Aqui eu estou tão centrada na idéia de não fazer muitos planos que esqueci que posso criar um plano b.

Refletindo, percebi que posso sim acompanhar as aulas e que a professora é mesmo muito solicita a me ajudar com minhas dúvidas. Mas estou inserida em uma situação que não é a que busquei. Na verdade isso inclui tudo (da universidade), a aula, o ambiente e por aí vai. Lá sou um peixe fora d’água, totalmente. Sinto-me mesmo muito mais contente quando estou aprendendo palavras novas com meus hermanos ou com o povo que eu saio tagarelando por aí. Não quero apenas tagarelar, quero aprender a falar direito, então a rua e a casa não são o suficiente, mas a universidade talvez não seja tão necessária quanto eu pensei. Enfim, almocei e decidi ir ao programa tentar alguma forma de ter uma devolução parcial do meu dinheiro e ir em busca de um bom professor particular. Com a grana que paguei no curso é possível fazer muitas aulas somente entre eu e o professor, com a atenção voltada para meu aprendizado, assim penso que posso aprender muito mais.

Nossa, pensar isso tudo em pouco tempo era mesmo um furacão. Parecia uma reviravolta no que eu estava visualizando para um mês. Nunca gosto de tomar decisões imediatas, mas a certeza estava batendo tão forte em mim que saí logo a caminhar em direção ao curso. Percorri meus trinta minutos de caminhada como um trem bala, doida para virar os planos pelo avesso. Aí.... cheguei na universidade e o programa estava fechado! Toim, toim, toim. Murchei, literalmente. Eu não tenho aulas na sexta, mas daí imaginar que o povo não trabalhava era demais. Voltei para casa como uma flor murcha. Murcha de frustração e de calor.

O sol aqui voltou e tudo que eu queria fazer era tirar a calça jeans. Não sei o que ocorreu, mas aqui tive uma briga séria com as calças jeans. Nós não estamos nos entendendo bem. Na verdade aqui dei um pause em muitas coisas, como nos esmaltes, nas maquiagens (que nunca usei muito mesmo, mas agora menos ainda), nos sapatos incômodos, em fazer as sobrancelhas e por aí vai. Aliás, antes mesmo de viajar resolvi doar metade do meu guarda roupas. Aquele mundão de coisas amontoadas não estava fazendo muito sentido para mim.

Um parênteses para uma parte do meu Presente do Mar, que acabo de me lembrar:
“Em primeiro lugar, devemos aprender a arte do desapego; podemos viver com tão pouco! Começamos pelo desapego físico, que depois se propaga misteriosamente para outras áreas. Primeiro as roupas. Certamente precisamos de menos roupas sob o sol. Mas, de repente, descobrimos que precisamos de menos roupas em qualquer situação. Não precisamos de um armário cheio, apenas de uma mala pequena.” (Lindbergh)

Bom, voltei para casa e coloquei uma saia de pano bem confortável, coloquei meu material do filtro na minha bolsa e meu livro e fui para o lugar que tanto gosto. Percebi que estava muito ansiosa e criando muitas expectativas com a minha mudança de idéias e uma das coisas que tenho aprendido é o quanto as expectativas fazem mal. Assim, eu precisava de fazer algo para trabalhar a mente, precisava canalizar minha energia de terremoto em outra coisa.

Fui para a Plaza San Martín “artesanar”. Chegando lá percebi que a cabeça bagunçada havia esquecido da parte mais importante do material para trás. Estava então partindo para o plano b. Acho que pode ser válido ter lembrado um pouquinho de fazer isso, o meu livro estava na bolsa como uma segunda opção de distração. No caminho para o agradável banquinho de madeira, um pouquinho de prosa com o amigo Hare. Na verdade um pouquinho nada, sua simpatia me fez atrapalhar o serviço dele e a minha passagem por ali virou um bom tempinho de prosa. Enfim, cheguei ao banquinho. Mas o sol estava escaldante e não deu para ficar por muito tempo, apenas um capítulo do livro.

Enquanto lia me divertia com uma moça que estava falando sozinha. Acho que ela estava treinando para ser guia turístico e ficava ensaiando, falando e gesticulando sozinha segurando alguns papéis em meio à praça. Isso podia ter passado batido em outro momento, mas naquele meu momento de sentir a praça, estava como uma coisa divertidíssima. É, foi mais ou menos isso mesmo, no tempo que fiquei por ali comecei a perceber as coisas com mais atenção. Enquanto eu lia, uma florzinha caiu no meu livro e eu, no ritmo da vida acelerada, logo dei um batidinha pra ela sair das letras do livro. Nossa, quando me dei conta disso fiquei tão espantada! Havia caído uma flor no meu livro e eu não observei como era, qual era sua cor, sua forma. Simplesmente empurrei. Isso soou estranho para mim. Assim, quando a segunda flor caiu, escorregou direto ao chão, mas imediatamente quis buscá-la. Observei, vi sua beleza e senti como ela fazia parte de tudo aquilo que estava ao meu redor. Assim, quando sai da praça levei um pedacinho daquele lugar comigo na minha bolsa de tear.

Enquanto sentava, lia, pensava, sentia a praça e refletia sobre meus objetivos. Talvez seja mesmo o vício dos planos voltando. Vi que quero pular na piscina de bolinhas aqui. Quero dar um salto em meio às bolinhas coloridas cheias de vida e alegria. Por isso quero tanto ir para um hostel onde eu possa dar muitas gargalhadas e conhecer muitas pessoas, companhias para novos lugares, passeios e por aí vai. Mas ascendeu também em mim a grande vontade de depois ter o meu tempo de afastamento. Já vim para cá com a idéia de passar uns dias no vilarejo San Marcos de las Sierras, que fica próximo às montanhas daqui. Mas hoje essa vontade cresceu ainda mais. Fiquei pensando que tenho tantos vícios, hábitos que quero mudar. E penso que para isso seria bom um tempo afastada. Há uns meses eu vinha buscando um nome para o “meu ser” e um dia, em meio a uma terapia, escutei que sou muito intensa. Esse foi o nome que então percebi que mais se identificava comigo, intensidade! Sou muito entregue às coisas e aos meus sentimentos, desenfreadamente. Se talvez essa for minha essência, não quero mudá-la, mas quero saber como usá-la melhor e espero que uns dias em meio às montanhas possam acalmar minhas inquietudes intensas. Mas isso são planos para me assegurar depois...

À noite uma pizza em casa com os hermanos, com um bom tempero e um bom bate-papo. Depois... cama!

Quinta com cara de sexta

(21/02/13)

Meu primeiro dia de atividade valendo nota! Isso não me afetou, haha. Não estava tensa com a situação e usei a tal da apresentação oral avaliativa como forma de divulgação das popularidades brasileiras e das minhas artesanias. Deu super certo!

Quando cheguei à sala de aula a professora ainda não estava lá. Minhas bugigangas estavam todas penduradas na mochila e logo aproveitei para falar para os colegas de classe que eu vendia artesanato e que se quisessem podiam ver. Dois vendidos no mesmo instante! Oba! A minha apresentação foi a última, pois seguia-se a ordem das cadeiras. A professora pediu para levarmos fotos de coisas relacionadas ao nosso cotidiano para apresentar. Levei fotos vinculadas ao meu cotidiano de trabalho, com a intenção de que as pessoas pudessem conhecer um pouquinho de Minas também. Assim, uma foto de um povoado, de uma igreja e de uma festa com fanfarra.  Também mostrei fotos de BH e da feira hippie. Depois, para falar sobre o que eu gostava, uma foto de cachoeira, de samba de roda e de um grupo de música da Bahia. Depois entraram as pessoas, uma foto com minhas cinco super amigas Déborah, Paulinha, Larissa, Nana e Jú. Eu disse que são minhas amigas irmãs, que estamos sempre juntas! Depois foto da minha avó e a Nessa, pessoas com que vivo e amo muitão, depois fotos dos pais, irmãos e sobrinhas, que deixei bem claro que embora não moramos juntos, somos muito unidos. Quando eu falava sobre meus irmão, que dois são filhos da minha mãe e uma é filha do meu pai, a professora disse que aqui se diz que eles sãos meus meio irmãos, porque não são filhos do mesmo pai e mãe que eu. Aí, como ação e reação, respondi instantaneamente que isso só aqui, porque: “Ellos no son mis medios hermanos, pero mis hermanos enteros!”, rsrs. Aí depois de apresentar tudo isso eu expliquei que estou aqui por gosto e não por um vínculo com universidade ou trabalho e que aqui eu era artesã! Ótimo, mostrei de novo o trabalho e a professora adorou. Disse que na segunda-feira compra um e que vai indicar para suas amigas de trabalho.

Sobre as outras apresentações, fiquei muito surpresa como a vida dos estadosunidenses é mesmo igualzinha ao que se aparece nos filmes. Todos diziam que amam muito sua universidade, uma chegou a dizer que a universidade é como sua família, a outra usa um anel de ouro com a inicial do nome da escola. Eu só pensava: “Meu Deus, e eu não estou nem aí para a minha!”. Uma coisa é amar o curso que faz, outra é ser tão apegado à instituição! Mas, cada um com seu costume. E as fotos das universidades também são iguais as dos filmes, aqueles prédio imensos, impressionante! Outra semelhança nas apresentações é que a maioria deles tem famílias que trabalham com fazendas, também como nos cinemas!

Durante o intervalo eu queria tentar vender os outros filtros, mas acabei sentando para almoçar com uma garota da minha sala e fiquei tão impressionada com as coisas que ela me contava que não deu para ir “ao trabalho”. Foi um choque para mim ouvir sobre algumas coisas relacionadas ao cotidiano da vida nos Estados Unidos. Foi um choque e um aprendizado. Ouvi coisas que jamais imaginei e que despertou um monstro de indignação dentro de mim. Lembrava a todo tempo do que aprendi com a antropologia, sobre o olhar do outro que está de fora. Não posso opinar sobre uma cultura com a visão vinculada ao cotidiano da minha cultura. Não posso argumentar sobre o que se vive em um meio através do ponto de vista do meu ambiente. Então, não sabia o que falar sobre tudo que escutava, também porque tudo que eu pensava era muito forte e passar para o espanhol seria muito complicado. Foi uma conversa dura para mim, mas um aprendizado sobre o que está além dos meus olhos.

Depois da aula resolvi desviar do meu caminho para ver como estava a venda de artesanato pelas ruas. Realmente ao lado do shopping havia uma galera vendendo seus trabalhos. Passei entre eles, mas não sabia o que dizer, rs, e uma das garotas me chamou pois queria ver meu brinco. Foi uma boa abertura para eu começar a conversar com eles sobre o cotidiano ali. Eles disseram que aqui quando os guardas chegam todo mundo guarda tudo e vai embora, sem maiores problemas. Então eu disse que talvez me junte a eles depois. Mas por enquanto estou tentando organizar meus dias.

Quando voltei para casa estavam todos, hermanos e a dona, sentados à mesa tomando café. Então, em meio às conversas, soltei sem querer minhas novas idéias. Acho que deviam ter ficado guardadas para mim! Estou pensando que quero muito viver aqui por ao menos mais um mês após o término das aulas. Estou mesmo encantada por essa cidade e viver aqui por mais um tempo me parece uma coisa fundamental. Assim, estou trabalhando duas idéias na minha mente, uma de trabalhar em um hostel e em troca receber a moradia. É complicado porque se trabalha muito e não recebe dinheiro, só o dormitório com mais um tanto de gente. Mas por outro lado, penso que às vezes é isso mesmo que estou querendo. Um hostel é mesmo uma idéia muito chamativa para mim, um lugar onde estou cheia de pessoas novas e onde posso praticar muito o idioma. Outra idéia é a de mudar para um hostel e tentar um trabalho voluntário em um museu. Seria excelente para meu currículo, muito bom mesmo. Mas aí teria que ter mais despesa com hospedagem e não sei se estou muito a fim de me preocupar com o currículo agora. Bom, vou pensando na idéia. Mas o que estou certa é que eu não deveria ter falado isso na mesa do café. Era só um bate papo e acabou se tornando uma pressão esse assunto para mim. Tive que dar mil respostas sobre coisas que ainda não sei, como: “mas o que você quer afinal?” Eu não seiiiii! Só estou pensando! Agora tem gente a fim de me ajudar e de fazer tudo para mim, conseguir um lugar para eu viver, conseguir um lugar para eu trabalhar, mas eu não quero isso. muito amável, mas quero fazer minhas coisas por mim mesma, no máximo uma ajuda e umas dicas, mas fazer para mim, isso não! Vou tentar dar um jeito de abafar esse assunto por aqui.

Depois da conversa pesada me deu uma baita dor de cabeça e mal humor e resolvi dormir. Demorei muito, mas dormi. Havia combinado de sair às 22h com os hermanos e então logo acordei para pensarmos aonde ir. Acabou que David desistiu e fomos eu e Melyssa sair pelas ruas procurando um lugar legal. Ótimo, Melyssa já entendeu muito bem do que gosto. Sou mesmo restritiva, isso não é legal, mas não gosto mesmo de qualquer coisa. Para mim o ambiente tem que ser barato, agradável e aberto. Essas são minhas “exigências” quando saio. Não gosto de ser implicante, mas também não vou a lugares que não me interessa. E Melyssa é uma fofa, para ela tudo está realmente muito bom. É uma pessoa muito fácil de se adaptar às coisas. Então, ela deixou para eu ir conduzindo o passeio. Tínhamos o objetivo de ir pra uma rua dar uma olhadinha como estava o ambiente, mas antes de chegarmos lá achamos um bar com mesinhas na rua que tocava um bom rock’n roll. Lá não tinha o que comer e eu estava com fome. Caminhamos alguns passos e paramos em outro bar que se vendiam vários tipos de “empanadas”e que também tinha mesinhas na rua. Paguei cinco reais para comer uns salgadinhos deliciosos. Depois voltamos para o bar do rock e lá conversamos bastante e tomamos um bom Fernet. Um para as duas, rs. Depois seguimos caminhando para ver o movimento e encontramos duas garotas da minha sala. Elas estavam meio bêbedas e estavam engraçadas. Estavam indo para uma sorveteria e as acompanhamos. Hum, o sorvete daqui é maravilhoso, mas é enorme. Acho que tenho que caminhar um mês para perder as calorias que consumi. Depois de me deliciar com o meu “helado”, voltamos para a casa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Uh, feriado!!! Estudo, cozinha, trabalho e boa música

Hoje é feriado de ninguém sabe o quê aqui! Rs Perguntei para um tanto de gente e tudo que interessava à todos, é que é feriado! Tudo bem, não vou preocupar-me também. Aqui as pessoas não se preocupam muito com muitas coisas e estou fazendo de tudo para entrar no ritmo. Ah, como é bom! Rs Não se lavam legumes antes de cozinhar, não usam bucha para lavar as louças, bebem água da pia da cozinha e ninguém morreu por isso até hoje, acredito que também não irei, então resolvi relaxar com essas coisas. A única boa que ainda não consegui entrar nela foi a tal da “sesta” que é o longo cochilo depois do almoço, inclusive muitos comércios aqui se fecham no horário da “sesta”. Queria demais fazer isso, mas não tem me sobrado muito tempo. Aliás, tenho ficado muito tempo em casa, mas sempre fazendo algo e não dormindo! E assim foi também meu feriado.

Bom, acordei e fui fazer meu dever de casa. Depois resolvi ir cozinhar meu almoço de hoje e para a quentinha de amanhã. Enquanto cozinhava desastrosamente, percebi que Melyssa e David não tinham comida para fazer, então, quando já estava quase tudo pronto, resolvi começar tudo de novo para dobrar a quantidade. Foi ótimo! Almoçamos juntos em casa e isso rendeu muitas horas juntos na sala durante toda à tarde. Aliás, toda a tarde não, porque só o tempo da cozinha me custou muitas horas, afinal, eu cozinhando sou uma belezura. Depois do almoço os dois ficaram estudando na mesa e eu sentei ao lado para fazer mais alguns filtros do sonho e pulseiras. Parece que isso vira mesmo um vício. Eu tinha que sair às 17h e já eram 19h e eu ainda estava “artesanando” e não queria parar! Melyssa gostou muito e já fez algumas encomendas. Fico realmente feliz em saber que as pessoas estão achando o trabalho bonito! Nossa tarde em hermanos foi excelente, parecia que já vivíamos juntos há muito mais tempo.

Ontem eu combinei de ir encontrar hoje com um garoto. A história é a seguinte, tenho uma amiga de BH, Laura, que tem um amigo argentino. Ela me passou o contato dele para ele me dar umas dicas de viagem por aqui. Assim, escrevi para ele e recebi uma resposta muito simpática com alguns textos e umas fotos. Havia poucos dias que Gaston havia passado por Córdoba e então conheceu uns garotos que vivem em uns Hostels daqui. Logo, Gaston me passou o contato destes garotos, que segundo ele, foram excelentes companhias aqui. Assim, hoje depois da minha longa tarde com os hermanos fui me encontrar com um desses garotos em seu hostel. Muito bacana o lugar. Lá havia uma italiana que está aqui por poucos dias. Fomos os três a um bar bem agradável com músicas argentinas. Antes de chegarmos, passamos por uma manifestação em frente ao shopping principal da cidade. Eu adorei o cenário! Ao lado do shopping vários artesãos pela rua e em frente, em uma praça, uma galera bem grande de jovens curtindo uma boa música! A música era do grupo Callejeros e o protesto era a seu favor. Pelo que compreendi, há algum tempo houve um acidente em que uma boate de Buenos Aires pegou fogo, esta banda estava tocando e foi condenada pelo ocorrido e por este motivo os jovens hoje estavam fazendo a manifestação. Passamos por lá, mas seguimos para o bar onde ficamos por um tempinho conversando, comendo e bebendo uma cerveja. O encontro foi curto, mas agradável. Assustei-me um pouco com o jeito italiano e acho que a garota estava um pouco sem paciência com o meu desconhecimento de algumas palavras. Percebi isso principalmente quando ela me perguntou eufórica se eu sabia alguma outra língua em que podíamos conversar. Mas tudo bem, o garoto era o oposto, muito calmo, prestativo e simpático! Voltei para a casa caminhando e, como sempre, encantada pelas ruas daqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

E um sambinha na Plaza San Martín



Hoje fui para aula quase que arrastada, de tanto sono que sentia por causa da noite mal dormida. E essa noite ainda foi até melhor, consegui dormi de meias e edredon, coisa que estava com saudades de fazer. Mas como todos os outros dias, acordei por toda a madrugada. Fui caminhando com Melyssa para aula e acho que fui a pior hermana possível. Nosso primeiro dia juntas e eu mal consegui pensar, quanto menos conversar em espanhol. Mas ela estava na mesma soneira e me entendeu bem. Na aula, de novo a mesma história e acho que vai ser assim por todos os dias. Várias regras gramaticais foram ignoradas pela professora, porque “todos” já sabiam! Na hora do intervalo foi muito engraçado porque uma colega de sala se ofereceu para me ajudar, segundo ela porque quando me olha durante as aulas estou sempre com cara de “ham?!” rs. Expliquei pra ela que entendo a aula, mas acho que o que está sendo descartado é importante para que eu acompanhe o conteúdo e que consiga fazer os exercícios (isso está muito difícil). Assim ela se dispôs a me dar umas aulinhas quando eu quiser.

Mas na verdade... ah, tem hora que não dá vontade de querer não. Fico mesclando entre a vontade de estudar para valer para perder essa dificuldade que tenho e a vontade de apenas aprender o básico, o essencial para sobrevivência viajante, que é meu único objetivo. Sei lá o que quero, se quero aproveitar porque já estou aqui e essa é uma oportunidade ouro pra eu aprender bem, ou se quero ser a Kelly real que não gosta de estudar. Sou muito mais prática do que estudiosa. Gosto de fazer as coisas, por a mão na massa é comigo mesmo! Mas estudar confesso que nunca foi minha preferência. Se me colocam para trabalhar, aí beleza, dou até a minha última gota de suor para que o trabalho saia bem feito, mas ficar decorando regras gramaticais...

Depois da aula saí para fazer as compras básicas. O leite acabou e tinha que comprar coisas para cozinhar também, já que decidi levar a tal da quentinha pra aula. Aí deu no que dá sempre... hehe! Dei um milhão de voltas pelas ruas e acabei caminhando cerca de duas horas. Eu estava morta de cansada e um pouco nervosa com o ritmo da aula, tudo o que eu queria era dormir, até que cheguei na Plaza San Martín. Ah essa praça! Estou realmente muito encantada com este lugar! É um dos pontos onde me sinto melhor por aqui. Quando sento em um destes bancos alguma energia passa por mim e me sinto realmente feliz! Lá e em seu entorno se vê um pouco de tudo: camelôs, artesãos, jovens, idosos, muitas compras, pássaros, lojas, enfim, um agito de centro da cidade e ao mesmo tempo uma sutileza. Uma alegria nas pessoas que parecem sentir a brisa tocar seus rostos quando caminham pela Plaza. E também se vê a biblioteca municipal que é simplesmente fascinante. Sou maravilhada com sua fachada e posso imaginar como é belo seu interior, que não pude conhecer, pois quando cheguei faltavam apenas cinco minutos para fechar.

E hoje meu encontro com a praça foi um tanto quanto engraçado. Na verdade lá não era meu destino, mas de repente comecei a escutar o som de um sambão e, obviamente, tive que segui-lo. Caí na praça em meio a uma apresentação de uma mini escola de samba. Parecia um pedacinho de Brasil aqui. Mas só parecia um pouquinho na verdade, o som era o mesmo das baterias das escolas brasileiras, mas as dançarinas... rsrs Acho que o gingado das brasileiras (que eu não tenho) só as brasileiras mesmo viu?! Tem jeito não! Mas eu não sei bem o que era o grupo e o que estavam apresentando, talvez seja algo daqui.

Enfim, saí para comprar um leite e um arroz e fiquei duas horas caminhando pelas ruas encantadoras dessa cidade.